Dicas para curtir Paris com economia

O momento é agora: o Real nunca esteve tão valorizado, inclusive perante ao Euro.

Mas, se pretende visitar Paris sem gastar muito comece pelo óbvio: se puder, viaje na baixa estação, que vai até meados de junho e recomeça no final de julho. A passagem do Brasil até Paris nesse período sai bem mais em conta – esses períodos variam de ano para ano e até de uma companhia aérea para outra.

Vamos esclarecer: a baixa estação não é necessariamente uma época ruim para se viajar, mas sim aquela em que, em princípio, há menos procura. Em todo caso, um evento importante em Paris, como uma feira de moda, por exemplo, pode fazer os hotéis lotarem e mudar esse quadro.

A maioria dos albergues e hotéis parisienses está instalada em imóveis antigos. Em muitos deles não foi possível instalar um elevador. Por isso, muitas vezes esses hotéis dispõem de bons quartos a preços convidativos. Mas, se você tem horror de subir escadas, peça, ao reservar, que informem em que andar fica o quarto que está reservando, para não ter surpresas.

Lembre-se também de viajar com pouca bagagem, pois é provável que seja você mesmo quem tenha que subi-la até o quarto: hotéis/albergues simples não costumam ter carregadores. O ideal é viajar com apenas duas peças de bagagem. Uma pequena, de mão, que você levará para dentro do avião, e outra que vai no compartimento de carga do avião. Mesmo essa é melhor que não seja muito volumosa: você poderá dispensar o táxi até Paris e tomar o RER (Reseau Expréss Regional). Esse trem de subúrbio que liga o aeroporto à cidade, sai muito mais barato do que o táxi e o deixa ao lado de inúmeras hospedagens. Por isso mesmo, procure ficar em um hostel próximo das estações do RER.

Para saber ainda mais sobre a cidade, veja nosso Guia de Viagem – Paris.

 

Onde ficar em Paris

O ideal mesmo é não ficar muito longe do Rio Sena. Os bairros mais práticos são Marais, Chãtelet-Les Halles e Palais Royale, na Rive Droite (a margem direita do Sena) e St-Germain e Quartier Latin, na Rive Gauche (a margem esquerda do Sena). São perto de tudo e animadíssimos, com muitos locais onde se pode comer sem gastar demais.

A “estação ideal” seria a Châtelet-Les Halles, centralíssima mas cujas diárias custam um pouco mais. A algumas poucas estações de metrô do Châtelet os preços já são mais suaves. Na Rue St-Antonie e vizinhanças, há vários pequenos estabelecimentos (raramente com elevador!) com preços bem razoáveis. Nesse caso você terá que descer do RER na estação Châtelet e pegar um metrô até a estação Bastille. O mesmo bilhete do RER serve para o metrô que fica nessa megaestação. É só seguir as placas.

Cuidado com sua mala nas portas automáticas “nervosas” entre o RER e o metrô comum. Algumas são muito estreitas e fecham rapidamente, espremendo-o junto com sua valise. Instalado num hotel nessa região você terá que caminhar uns quinze minutos até a Châtelet, a Rive Gauche e as principais atrações – o que, sem bagagem, é tranquilo. O mais importante é que você não está detonando seu orçamento.

Em Montparnasse, na Rive Gauche, um bairro que, no passado principalmente, foi ponto de encontro de escritores, pintores e artistas plásticos, também existem hospedagens com preços mais suaves. Calcule uns vinte minutos de caminhada até St-Germain e o Quartier Latin, o início da festa. Essas regiões que mencionamos são as que têm opções mais econômicas, em lugares relativamente centrais e agradáveis. Há também locais baratos na região das estações – a Gare de Lyon, a Gare de L´est e a Gare du Nord. A Gare de Lyon não tanto, mas as outras duas, embora com a vantagem de terem RER direto para o aeroporto, são regiões um tanto agitadas e sem muito charme.

Para quem quer viajar num esquema ainda mais econômico, a dica são os hostels em Paris. Com diárias começando a 15 euros por noite, vários albergues ficam pertinho das estações de metrô e alguns estão instalados em magníficos prédios do século XVII e XVIII, inteiramente reformados.

 

O que ver e fazer

Caminhar pelas ruas de Paris já é um programão. E isso é de graça.

A ressaltar: tão gostoso ou mais do que visitar uma atração ou museu (claro, tudo depende de gosto), é caminhar por certos bairros de Paris. A cidade tem um clima mágico apaixonante, é interessantíssima e fervilhante de vida.

Na Rive Gauche durante o dia ou a noite, vale a pena caminhar pelas ruas de traçado medieval do Marais, dar uma olhada na casa mais antiga de Paris, conhecer o Hotel de Sens, o palácio da famosa rainha Margot (quem viu o filme?), caminhar por suas ruas, dar uma volta pela simbólica Rue des Rosiers, sentir o clima relax da tradicional Place du Marché St-Catherine, visitar algumas igrejas, como a de St-Paul St-Louis, ver o que sobrou das muralhas construídas na época de Felipe Augusto (é isso mesmo, Paris, terminava ali, bem no meio do Marais!).

Seguindo em direção ao Sena você verá a Île-St-Louis. Pare um momento para apreciá-la de longe e só depois atravesse a ponte. St-Louis é linda  a qualquer hora do dia, mas ao cair da tarde beira o emocionante. Muito tranquila a maior parte do ano (exceto em frente à sorveteira Bertillon) é perfeita para se andar a pé e flanar sem pressa entre seus imóveis aristocráticos.

Uma outra ponte o levará à Île-de-la-Cité, mais movimentada. Para subir na torre paga-se, mas para entrar na igreja não. Notre-Dame é simplesmente espetacular por dentro e por fora, uma obra-prima do gótico francês. Outras atrações da Cité são a Conciergerie, o Mercado das Flores, o Pont Neuf que une a ilha às duas margens e a Place Dauphine, um oásis de tranquilidade no coração de Paris.

Descendo a escada que dá acesso ao ancoradouro (um deles) do Bateau-Mouche, há um jardim. É a ponta onde começa a ilha e divide o Sena em dois canais. Repare que ali tem sempre um pessoal sentado, às vezes namorando, papeando ou comendo um sanduíche e bebericando um vinho. Dali se vê as duas margens do Sena: é um dos mais bonitos lugares de Paris para se curtir um por-do-sol e apreciar o movimento dos barcos bem à sua frente.

Charmes arquitetônicos

Na Rive Gauche, o Quartier Latin é outro bairro que não se deve deixar de conhecer. Hoje há bem menos estudantes circulando por lá, embora vários cursos ainda funcionem no velho prédio da Sorbonne. Após maio de 1968, os cursos foram descentralizados e os pequenos paralepípedos – já que os estudantes se acostumaram em atirá-los contra os policiais – foram substituídos por uma grossa camada de asfalto.

É no Quartier Latin que fica o Pantheon, o lindo Jardin de Luxembourg e um meandro de ruas medievais em torno da Place de La Constrescarpe. Repare nos imóveis do século XVIII que não obedeciam a nenhuma numeração, mas tinham nomes.

Outro bairro bem interessante é Montmartre, no norte de Paris, antigo reduto dos impressionistas e que ainda conserva uma arquitetura que lhe dá um ar meio provinciano. Como o bairro fica numa colina, se você for até o Belvedere em frente a Sacré-Coeur, terá uma ótima vista panorâmica da cidade sem precisar subir na Torre.

Paris tem muito mais e é impossível falar de tudo. Mas, anote outra atração grátis e espetacular: os parques e jardins de Paris, como o Montsouris perto da Cité Universitaire, o Monceau e outros. Na primavera, tornam-se um festival de cores vivas; no outono assumem tons entre o vermelho e o dourado.

Arte e cultura

Os que gostam de cultura e arte, porém, encontrarão motivos para festejar: os museus municipais com suas espetaculares coleções agora são grátis. Alguns deles, como o Carnavalet são uma visita obrigatória para aqueles que querem saber mais sobre a história de Paris. Você verá desde canoas da Idade do Bronze empregadas pelos primitivos parisienses, até a reprodução da cela onde Maria Antonieta ficou presa durante a Revolução. Além disso, o belo Hotel Particulier onde está instalado já vale, por si só, a visita. Uma dica para os amantes da sétima arte: as cinematecas. Não são gratuitas, mas os ingressos são baratos, e os filmes excelentes. Vale a pena, principalmente para quem fala francês, embora muitos filmes sejam em outros idiomas.

Finalmente, considere o seguinte: algumas atrações não são gratuitas, mas também não têm preços absurdos. Duas delas achamos que são imperdíveis: um passeio de barco pelo Sena, mesmo que seja super turístico, e a subida na Torre Eiffel para ver Paris do alto. As duas somadas lhe custarão uns 20 e poucos euros. Você nunca se perdoará se perder uma dessa!

 

O que comer

É óbvio que almoçar e jantar todos os dias em restaurantes, pode acabar saindo caro. Na realidade não apenas sai caro, mas você perderá a oportunidade de experimentar iguarias que provavelmente não irá saborear em um restaurante.

Uma ótima opção, sobretudo para aqueles que sabem apreciar certas especialidades gastronômica,s é entrar num magasin de alimentation e aproveitar a chance para experimentar terrines (um tipo de patê, a grosso modo), frios e certos tipos de queijos, que dificilmente são encontrados no Brasil.

Essas delícias você pode saborear em seu quarto onde estiver hospedado ou num parque qualquer, acompanhado de uma baguette e de um vinho que, comprado em um mercado, custará metade do que você pagaria pela mesma garrafa em um restaurante. Ou seja, você come bem e gasta pouco. Nossa recomendação é levar consigo um canivete/abridor e copinhos e pratinhos descartáveis. Assim, com o orçamento sob controle, pode-se vez ou outra ir a um restaurantezinho simpático e jantar à luz de velas…

Infelizmente porém, os cardápios mais caros são os do jantar. No almoço, muitos restaurantes oferecem menus completos com entrada, prato principal e sobremesa (com sorte, com direito a uma jarrinha do vinho da casa), ou formules (prato principal+sobremesa ou prato principal+entrada) a preços fixos bem razoáveis. São pequenos restaurantes, geralmente familiares, cujo público é formado por pessoas que trabalham ou estudam no bairro. Não é a culinária dos grandes chefs, mas é uma cozinha familiar de boa qualidade. Você encontra menus desse tipo por volta de 10 euros. Outra opção econômica são as pizzarias. Nesse caso, procure uma casa que tenha forno a lenha. De qualquer modo não espere comer uma pizza como a que você saboreia no Brasil.

Opções baratas

Os restaurantes universitários, obviamente, não se destinam aos turistas. Mas se você for estudante e estiver passando um tempo em Paris poderá utilizá-los. A refeição é completa, saudável (infinitamente melhor do que nos restaurantes universitários no Brasil) mas não é o local onde você vai provar escargots à la Provençale, por exemplo. Muitos restaurantes universitários oferecem também lanchonete, que servem pratos simples como um filé com fritas, a preços imbatíveis.

Muitas vezes quando se visita uma cidade, anda-se um dia todo e nem todo mundo para realmente para um almoço, mas acaba comendo algo pelo caminho. Em todo canto há crepes surpreendentemente boas – doces ou salgadas – vendidas em quiosques de rua. Duas dessas matam a fome de qualquer um e não custam mais do que uns poucos euros.

Há ainda em alguns bairros e mesmo no miolo do Quartier Latin, ao lado do Boulevard St-Michel, miniestabelecimentos com balcão voltado para a rua, que servem salsichas com fritas ou churrascos gregos também com acompanhamento. Sabemos que alguns tocerão o nariz: “churrasco grego? Desse iguais aos do centro de São Paulo de higiene meio duvidosa?”. Os gyros, como são chamados têm de fato cara semelhante: ficam girando em torno de uma haste e vão sendo fatiados na hora. A diferença é a higiene e a qualidade das carnes. Se não oferecerem o mínimo de qualidade e se o estabelecimento não obedecer às normas de saúde pública, é simplesmente fechado e o proprietário pode ir parar atrás das grades.

No Marais, existem estabelecimentos simples, que servem o tradicional falafel hebraico, delicioso. É difícil explicar exatamente o que é. Você deve prová-lo. É um pão (que nós no Brasil chamamos de “árabe”, mas é melhor não chamá-lo assim em pleno bairro judeu!) com carnes, pasta de grão de bico, vegetais e coisas que você nunca viu antes. Se você continuar com fome depois de comer um, consulte seu endocrinologista…

 

Usando o transporte

Há passes que dão direito, durante seu período de validade, a tomar quantos metrôs, ônibus e RER desejar por um período determinado. Embora muito prático, esse tipo de passe nem sempre vale a pena para quem está hospedado numa região central da cidade, onde estão as principais atrações, e só utiliza ocasionalmente os transportes públicos. Sai mais barato, nesse caso, comprar um carnê de dez bilhetes, que você vai usando à medida de suas necessidades. Não esqueça de que, com baldeações, você vai para qualquer lado com um só bilhete.

A Carte Paris Visite de três dias, que custa quase o mesmo que dois carnês de dez bilhetes, só vale a pena para aqueles que pensam em fazer mais de 20 viagens de metrô em três dias consecutivos. Da mesma forma, uma Carte Orange semanal (além da chateação de tirar foto e fazer carteirinha) só compensa financeiramente para quem fizer mais de 13 viagens em uma semana. Estude o que é mais vantajoso no seu caso.

Há ainda o Batobus, o meio de transporte público por barco, uma espécie de “ônibus-barco”, não direcionado especificamente ao turista. Tem vários pontos ao longo da região mais central: Torre Eiffel, Musée d’Orsay, St-Germain, Notre-Dame, Hôtel de Ville, Louvre e Champs-Élysées. A vantagem é que há passes para um ou dois dias, para quantos passeios você quiser, por praticamente o mesmo preço de um passeio de barco turístico. Isso, sem que você tenha que ficar escutando um auto-falante anunciar em meia dúzia de línguas que o barco está passando em frente ao Louvre ou à Torre Eiffel… Ou seja, você o utiliza ao mesmo tempo para ver o melhor de Paris que, em nosso entender, fica à beira do Sena, e como meio de tranportes. O único problema: ele não funciona durante os meses mais frios.

 

Este texto foi uma colaboração do site GTB Paris. Obrigado ao Lúcio Rodrigues, autor de “A Vaca na Estrada” e “O Ouro Maldito dos Incas”.

 

Tá sem grana para ir pra Paris agora? A gente tem um jeito para você visitar a cidade sem sair de casa. Clica na imagem abaixo e boa viagem!

 

Gostou? Veja também:

 

Um agradecimento especial pelas fotos do flickr para Mafue, Serge Melki, Raul DS, Matt Neale, Edhral, dalbera, roberto_venturini, TheGirlsNY, Frédéric de Villamil e http 2007, e Jose and Roxanne.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *