Guia de Viagem pela Índia: Onde Ir e o Que Ver

Nosso amigo Rafael Sette Câmara, do blog 360 Meridianos, conta a seguir um pouco de suas aventuras pela Índia, dando dicas dos principais e imperdíveis lugares para visitar por lá. PS: as ótimas fotos também são dele.

 

Uma das primeiras coisas que aprendi na Índia é que os publicitários de lá não exageram – pelo menos não quando o assunto é o slogan oficial do País. Enquanto a Tailândia descreve suas belezas com a palavra inglesa amazing (extraordinário) e o governo da Indonésia escolhe wonderful (maravilhoso), os indianos adotam o incredible. Sim, a Índia é incrível, para o bem e para o mal. É casa de desertos enormes, ruínas milenares, culturas e religiões diversas e até mesmo de montanhas nevadas. No meio disso tudo, também há a pobreza sem comparação e um problema populacional bilionário.

Uma coisa é certa: vale muito a pena visitar a Índia. Para dar uma ideia do tanto que o país pode ser incrível e oferecer cenários variados, fiz uma lista com cinco lugares que todo viajante deve conhecer por lá.

 

Taj Mahal – Agra

Clichê, eu sei, mas é simplesmente impossível deixar o Taj Mahal de fora de qualquer lista respeitável sobre a Índia. O Taj foi construído no século XVII para servir de mausoléu para Mumtaz Mahal. Ela era uma das esposas do Imperador mongol que dominava o que hoje é a região norte da Índia. De lá pra cá o Taj ganhou fama: foi citado por viajantes durante séculos, virou a imagem mais conhecida da Índia, patrimônio mundial da Unesco e, por fim, uma das maravilhas do mundo moderno.

Rajastão

O Taj fica no meio do caminho entre Nova Délhi, capital e porta de entrada do país, e uma região que deve estar na lista de qualquer viajante que se aventura pela Índia: o Rajastão. Esse Estado é a Índia que a gente vê na televisão – elefantes, encantadores de serpentes, fortes com séculos de existência, desertos e muitas roupas de cores berrantes.

Comece a viagem por Jaipur, conhecida no mundo como a “Cidade Rosa” (por causa da cor das casas e templos) e no Brasil como o “Caminho das Índias” (por causa do romance do casal Bahuan e Maya). Além de Jaipur, o Rajastão tem a imperdível Jaisalmer e seus safáris de camelo, Jodhpur e o fantástico forte de Mehrangarh e a relaxante Udaipur.

McLeod Ganj

A viagem até McLeod Ganj, uma vila perdida no meio do Himalaia indiano, foi a pior que já fiz na vida. A estrada é tão cheia de curvas e buracos que o barulho das peças do ônibus tremendo impede qualquer noite de sono. Mas McLeod Ganj certamente vale o esforço. É possível percorrer toda a cidade em poucas horas e contar o número de ruas nos dedos das mãos. Mas isso é exatamente o charme do lugar, juntamente com as montanhas nevadas no fundo. E McLeod ainda é casa do Dalai Lama e do governo do Tibet, em exílio desde 1960.

Rishkesh

Rishkesh ganhou fama quando quatro amigos resolveram passar um tempo por lá, na década de 60. E o fato desses amigos terem vivido a época mais criativa de suas carreiras e – principalmente – de serem os Beatles, ajudou a tornar a cidade conhecida. Assim como McLeod Ganj, Rishkesh é um lugar pequeno. Só que, ao invés das montanhas nevadas do Himalaia, o charme fica por conta do Rio Ganges, que corta a cidade ao meio. O Ganges é tão limpo nesse trecho que é possível nadar, mergulhar e até mesmo fazer rafting nele.

Varanasi

Do Ganges limpo para o Ganges imundo. Varanasi é uma das cidades mais fantásticas da Índia.  É ali que muitos indianos escolhem morrer. No principal crematório de Varanasi, cerca 300 corpos são queimados todos os dias. A cidade é suja, fede a urina e fezes, é absurdamente confusa e diferente de tudo que você provavelmente já viu. E, além disso, é sagrada e cheia de fiéis. Um lugar que fica na memória de todo estrangeiro que passa por lá.

 

PLANEJE SUA VIAGEM:

✔ Transporte

Outra cidade tem que fazer parte do seu roteiro na Índia, mesmo que não seja seu objetivo passar muito tempo por lá: Nova Délhi. Da capital do país é possível ir para qualquer desses lugares que listamos, e ainda muitos outros destinos que você possa querer visitar. Para longas distâncias o melhor é ir de avião, a não ser que alguma cidade no meio do caminho também te interesse.

Por terra, a melhor opção é viajar de trem. O sistema ferroviário indiano cobre a maior parte do país, e as classes AC (com ar condicionado) são relativamente confortáveis e limpas. Para reservar sua passagem é preciso entrar no site oficial do governo indiano. Outra alternativa, usada por muitos viajantes, é confiar na cota de turista, uma quantidade de passagens que é liberada poucas horas antes do trem partir e que só é vendida para estrangeiros com apresentação de passaporte.

Quando o trem não estiver disponível (caso de McLeod Ganj) a saída é ir de ônibus. Para isso, basta ir até a rodoviária da cidade onde você estiver ou então procurar uma agência de viagens particular. Se o percurso não estiver disponível, siga até Nova Délhi e de lá pegue outro transporte até o destino desejado.

✔ Visto

Turistas brasileiros precisam de visto para entrar na Índia. Você pode conseguir o seu na Embaixada, que fica em Brasília, ou em um dos consulados, em São Paulo, no Rio de Janeiro ou em Belo Horizonte.

✔ Vacina

Assim como em boa parte do mundo, brasileiros precisam do Comprovante de Vacinação Internacional contra febre amarela. O documento é fornecido pela Anvisa.

✔ Como se comunicar

A Índia tem dezenas de idiomas oficiais e incontáveis dialetos. Mas, como o país foi colônia britânica, é relativamente simples se comunicar em inglês por lá. Com sotaque em híndi, claro.

✔ Moeda

A Rúpia é a moeda nacional. Cada Rúpia vale cerca de R$ 0,0003. Sim, o custo de vida lá é baixo.

✔ Quando ir

O período das monções começa em junho e vai até setembro. Evite o país nessa época, já que algumas regiões oferecem ao turista um calor insuportável. Se puder escolher, vá entre outubro e fevereiro, quando as temperaturas ficam mais amenas.

✔ Fuso Horário

Os relógios indianos estão marcam 8h30 a mais do que os nossos, em Brasília.

✔ Como ir

É possível ir via Europa, e de lá fazer conexão e pegar outro voo, em sentido Nova Délhi. Nesse caso, a alternativa mais comum é a British Airways, mas outras empresas também fazem o percurso. Além disso, também é possível ir via África do Sul, com a South African Airways. Neste caso a porta de entrada na Índia é Mumbai. Outra alternativa é fazer conexão no Oriente Médio e seguir para Chennai, uma das maiores cidades indianas.

 

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